Até ao fim deste mês de Maio está no Arquivo Municipal a exposição “De autocolante ao peito. Uma liberdade conquistada.” A exposição mostra as cinco centenas de autocolantes à volta do 25 de Abril e a sua herança, coleccionados por Laurentino dos Reis e – iniciativa cívica louvável – doados ao Arquivo.

Autocolantes de Abril no Arquivo Municipal

O autocolante é um veículo barato para as imagens, naturalmente viajante e visível, colado em muros, na roupa, no carro. Feitos para serem vistos e não para durar, vivem perto do pulsar do tempo. Estes são por isso testemunhos sobreviventes, mas o que surpreende é que apesar do formato despretensioso e dos seus 30, 40, 40 e tais anos estes autocolantes mantêm a sua frescura, o entusiasmo agitado de um tempo em que de repente ideais e esperanças longamente mantidas na sombra vieram à rua. Cravos, pombos, janelas abertas e grades desfeitas… Operários, soldados e muitos camponeses, foices e martelos, tractores, bandeiras vermelhas e trigo. Uma nova liberdade e novas reivindicações em busca de símbolos, cores e formas para se expressar. Enfim, uma colecção muito justamente preservada, que foi organizada e digitalizada pelo Arquivo para facilitar futuras consultas. Por isso tudo, uma exposição digna de visita.

Reproduzo também o texto de sala (ipsis verbis, com erros e tudo):

Com a liberdade conquistada a 25 de Abril de 1974, explodiu o debate que, quase de um dia para outro, se encheu de temas e palavras que, até poucos anos antes, só eram familiares aos setores mais politizados da população, os paradigmas alteravam-se radicalmente, bem como, as linguagens em que se modlavam os ideais e esperanças de um tempo novo.

Os autocolantes pela sua agilidade comunicativa e reduzido custo, transformaram-se em meios previligiados para veicular a mensagem de partidos políticos, movimentos sindicais, associações, movimentos cívicos entre outros.

E acaba com uma citação de Luís da Silva Pereira:

Ficam como testemunho de um tempo frenético, por vezes, atribulado, mas, ao mesmo tempo, cheio de sonhos e de esperanças. Neles foram lançadas muitas raízes do que hoje somos …